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Sobre as Águas

Baianos na frente no Snipe

Antonio Alonso

28/01/2022 20h31

O Campeonato Brasileiro de Snipe 2022 será decidido neste sábado (29), no Iate Clube do Espírito Santo, em Vitória (ES). A liderança está com os medalhistas pan-americanos Juliana Duque e Rafa Martins após cinco regatas disputadas. A dupla baiana soma 14 pontos perdidos contra 17 dos conterrâneos Bernardo Peixoto e Lucas Gabor Urmenyi. Os bicampeões mundiais Bruno Bethlem e Dante Bianchi aparecem em terceiro com 21 pontos perdidos.

As regatas finais começam a partir de 8h em virtude de uma frente fria na capital capixaba. As provas desta sexta-feira (28) não puderam ser realizadas por esse motivo. O campeonato nacional terá a entrada do descarte do pior resultado, que pode favorecer Juliana Duque e Rafa Martins na tabela. Porém, o dia decisivo deve contar com três regatas

O evento contra com 35 duplas participantes de nove estados e oferece seis vagas para o Mundial da classe, que será em agosto, no Clube Naval Cascais, em Portugal. "Estamos bem felizes com nosso desempenho até agora, vamos para o último dia na liderança! Isso é bom, mas precisamos manter o foco porque o importante é terminar na frente da súmula quando acaba o campeonato", explicou Rafael Martins.

O parceiro de Juliana Duque confia no entrosamento dentro e fora da água da dupla. Os dois são casados. "Temos confiança de que estamos no caminho certo, em novembro ganhamos o Campeonato Paulista de Snipe na Guarapiranga com vento fraco e medio, e 73 barcos, agora aqui velejando bem com vento forte. Vamos pra água amanhã onde podem ter três regatas, o que pode mudar muito ainda a súmula".

Juliana Duque vive fase especial na vela. Recentemente se tornou campeã mundial feminina ao lado de Mila Beckerath.

Força do Snipe

A categoria Snipe é uma das mais concorridas do país. Já passaram por ela os maiores nomes da modalidade, como Torben Grael, Lars Grael e Robert Scheidt. O Brasil detém os títulos mundiais no geral e no feminino. No ano de 2019, em Ilhabela (SP), Henrique Haddad e Gustavo Nascimento foram os vencedores.

A primeira edição oficial do Brasileiro de Snipe foi realizada em 1949, onde a conquista ficou com Joseph William Morris Brown e Peter Mac Gregor. Outros dois campeonatos nacionais foram disputados em 1945 e 1947.

"A competição está muito equilibrada e tudo pode acontecer na final. Os meninos da Bahia estão dando show também, vale ressaltar os jovens Bernardo e Lucas que ainda são do juvenil. A Juliana está andando muito com o Rafa e por isso estão na frente", contou Paola Prada, secretária nacional da classe Snipe.

A última edição do Brasileiro de Snipe foi em 2020, no Yacht Club da Bahia, em Salvador (BA). Na ocasião, o título ficou com Matheus Tavares e Flávio Castro. O maior vencedor da história da categoria no Brasil é Alexandre Paradeda, com 13 conquistas.
Outros nomes experientes estão em Vitória (ES) caso de Marcelo Bellotti, campeão sul-americano de Star e um dos táticos mais requisitados da vela oceânica brasileira, principalmente quando assunto é Semana de Vela de Ilhabela. Marcelo corre com Ellion Santana o Brasileiro de Snipe.

"A ideia de correr o campeonato sempre foi nos divertir, muitos anos fora da classe resolvi comprar um barco, que batizei de Xymboka, nome que carinhosamente eu e meu pai nós chamávamos. O Snipe marcou minha vida na vela", contou Marcelo Bellotti, que divide as atenções no Star, Snipe e no Phytoervas 4Z da vela oceânica.

O Ellion é um garoto que promete na vela brasileira. O jovem é oriundo de um projeto social da Praia Grande (SP) e hoje velejador do Clube Internacional de Regatas de Santos (SP).

Foto: (Camilla Baptistin)

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.

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