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Sobre as Águas

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Com Zarif e Trouche, Brasil é campeão da Star Sailors League Finals

Antonio Alonso

08/12/2018 20h35

Zarif e Trouche rumo ao título na Baía de Montagu (Gilles Morelle / SSL)

Três vitórias seguidas no mesmo dia levaram Jorge Zarif e Pedro Trouche ao inédito título da Star Sailors League Finals neste sábado, na sexta edição do campeonato disputado anualmente nas Bahamas. Foi a primeira vez que o campeão venceu quartas de final, semifinal e final. Com mais uma vitória na fase de classificação, a dupla levanta a taça e o prêmio de 40 mil dólares com quatro triunfos em 14 regatas entre as 25 duplas repletas de medalhistas olímpicos e campeões mundiais.

O primeiro título brasileiro em Nassau veio em 2013, com Robert Scheidt e Bruno Prada na edição de estreia da SSL Finals. Neste ano, ao lado de Henry Boenig, Scheidt repetiu a medalha de prata de 2017, após o bronze com o mesmo proeiro em 2016. Foi a primeira dobradinha de um país na SSL Finals. Em um ano vitorioso, Zarif conquistou duas etapas da Copa do Mundo na Classe Finn na França e o título mundial de Star em outubro com Guilherme de Almeida em Oxford (EUA), tornando-se apenas o quarto velejador da história a vencer os mundiais de Star e Finn (2013).

"Não esperávamos três vitórias seguidas. Queríamos apenas ir passando de fase. Tivemos ajuda decisiva do Bruno (Prada) e do Augie (Diaz) que regularam o mastro. Eles são especialistas e eu confio muito neles", reverenciou Zarif. Velejamos em alto nível. Foi uma experiência incrível para nós. Em quatro participações em Nassau, a melhor colocação de Zarif havia sido o quarto lugar em 2014.

Zarif, paulista de 26 anos, e Trouche, carioca de 27, velejaram juntos pela primeira vez, apesar de se conhecerem há 15 anos. "Não imaginava que seria tão bom. Começamos a treinar apenas a quatro dias do início do campeonato. O barco hoje (sábado) estava perfeito. Durante a semana, evoluímos a cada regata, corrigindo e diminuindo os erros", enalteceu Trouche.

Das Bahamas para o Japão – Em campanha olímpica para os Jogos Tóquio 2020, Jorginho retorna o foco para a Classe Fim já na próxima semana. "Agora é 100% Finn. A partir de terça-feira já estarei no Rio de Janeiro para iniciar pré-temporada na Baía de Guanabara. Neste ano velejei 250 dias de Finn. Foi bom parar e respirar um pouco. A Classe Star ajuda muito na parte tática e os resultados aumentaram minha confiança", analisou Zarif.

Quarto colocado nos Jogos Rio 2016, Zarif terá a última oportunidade de correr de Finn em uma olimpíada. A World Sailing (Federação Internacional de Vela) retirou a classe do programa olímpico. "Tomaram uma decisão política que joga no lixo a história da vela. Já haviam feito o mesmo com a Star", lamentou o campeão da SSL Finals. Zarif fará a maior parte da campanha de Finn em 2019 na Europa, dividido entre Espanha e Itália, que receberá o Campeonato Europeu, seletivo para os Jogos de Tóquio.

Hat-trick na Baía de Montagu – O sábado decisivo, nublado e com vento leste firme, entre 15 e 17 nós (cerca de 30 km/h) começou com vitória brasileira. Zarif e Trouche venceram as quartas de final com 11 segundos de vantagem sobre Melleby (NOR) e Revkin (EUA). A dupla assumiu a liderança na segunda perna de contravento. Dos oito barcos que iniciaram a regata, cinco seguiram à semifinal. Arthur Lopes em sexto lugar com Paul Cayard (EUA), assim como Lars Grael e Samuel Gonçalves, em sétimo, foram eliminados.

Mendelblat e Fatih, segundos colocados na classificação geral, entraram diretamente na semifinal para compor uma flotilha de seis barcos em busca de três vagas na final para se juntarem, em seguida, a Scheidt e Maguila. Zarif e Trouche se mantiveram desde a largada entre os três primeiros. Assumiram a liderança na primeira perna de popa e venceram novamente, com 14 segundos de vantagem sobre Negri (ITA) e Kleef (ALE).

A semifinal marcou a eliminação dos bicampeões Mendelblat e Fatih. Junto com eles, deixaram o campeonato: Kusznierewickz e Zycki (POL), Rohart e Ponsot (FRA). Seguiram à final as duplas: Negri e Kleef, Melleby e Revkin. A regata decisiva foi um passeio para Zarif e Trouche, venceram após 47m33 sem dar chances aos amigos e rivais Scheidt e Maguila, que cruzaram a linha de chegada depois de 32 segundos. Negri e Kleef ficaram com o bronze, seguidos por Melleby e Revkin.

SSL Finals 2018

1 – Zarif / Trouche (BRA)

2 – Scheidt / Boening (BRA)

3 – Negri (ITA) / Kleen (ALE)

4 – Melleby (NOR) / Revkin (EUA)

5 – Mendelblat / Fatih (EUA)

6 – Kusznierewickz / Zycki (POL)

7 – Rohart / Ponsot (FRA)

8 – Cayard (EUA) / Lopes (BRA)

9 – Grael / Gonçalves (BRA)

10 – Loof (SUE) / Natucci (ITA)

16 – Diaz (EUA) / Prada (BRA)

Os campeões da SSL Finals

2013 – Robert Scheidt e Bruno Prada

2014 – Mark Mendelblat e Brian Fatih (EUA)

2015 – George Szabo (EUA) e Eduardo Natucci (ITA)

2016 – Mark Mendelblat e Brian Fatih (EUA)

2017 – Paul Goodison (GBR) e Frthjof Kleen (ALE)

2018 – Jorge Zarif e Pedro Troucher

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.