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Sobre as Águas

Tradição mantida; Que venha 2024 em Marselha

Antonio Alonso

04/08/2021 22h36

A Equipe Brasileira de Vela encerrou sua participação em Tóquio 2020 na madrugada desta quarta-feira (4) com a nona colocação de Fernanda Oliveira e Ana Barbachan. As duas ficaram em 10º na regata da medalha, que define o pódio.

O resultado da classe 470 feminina coroa mais uma participação de alto nível da vela feminina, que fechou os Jogos do Japão fazendo todas as finais, incluindo o bicampeonato de Martine Grael e Kahena Kunze na 49erFx.

O ouro das brasileiras foi a 19ª medalha olímpica da vela brasileira, confirmando a modalidade como a mais vencedora do Brasil nos Jogos.

A primeira medalha olímpica saiu na Cidade do México 1968, um bronze de Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes – Flying Dutchman. De lá para cá, apenas em Munique 1972 e Barcelona 1992 não tivemos brasileiros no pódio.

"A vela brasileira manteve tradição e regularidade com resultados positivos em Tóquio 2020. A preparação foi a melhor possível levando em conta a pandemia. O trabalho pra Paris 2024 e Los Angeles 2028 já começou. Incentivamos a vela jovem, ampliamos as clínicas pelo País e buscamos excelência e todos os processos", disse Marco Aurélio de Sá Ribeiro, presidente da CBVela.

Para os Jogos de Paris 2024, a World Sailing – entidade que comanda a modalidade no mundo –  fez algumas mudanças significativas. As classes Laser Standart, Laser Radial, 49erFx, 49er e Nacra 17 permanecem no programa olímpico. Já as classes Finn, RS:X masculina e feminina e 470 masculina e feminina dão adeus, sendo substituídas por Kite, IQFoils e 470 mista.

Desde Helsinque 1952 no programa, a Finn não fará mais parte da competição daqui três anos. Jorge Zarif detém o melhor resultado da categoria nos Jogos com o quarto lugar na Rio 2016, além de campeão mundial em 2013.

No lugar da prancha à vela da fabricante RS:X entra os IQFoils. Em Tóquio 2020, a representante foi Patrícia Freitas, 10ª colocada. As pranchas entraram no programa olímpico em Los Angeles 1984 e foram usados os equipamentos como Windglider, Lechner Divisão II, Lechner A-390, Mistral One Design e RS:X pela última vez no Japão.

Outra novidade é a entrada do kitesurfe ou IKA Kitefoil nas versões masculino e feminino. Os velejadores vão usar equipamentos que permitem velejar com condições de vento fraco até rajadas de 40 nós.

"No Kite temos no masculino o campeão pan-americano Bruno Lobo, que vai chegar muito bem. No feminino tem muito trabalho pela frente. No iQFOiL acho que o masculino com o Matheus Isaac tem boas chances, é continuar evoluindo e fazer um bom calendário internacional", disse Walter Böddenner, coordenador da vela na Rio 2016.

Outra alteração será classe 470, que passa a ser mista e não separada por gênero. A categoria deu a primeira medalha de ouro em Moscou 1980 com Marcos Soares e Edu Penido. E também fez história com primeiro pódio olímpico feminino na modalidade com Fernanda Oliveira e Isabel Swan em Pequim 2008. "O 470 é uma classe muito competitiva. O Brasil ganhou medalhas e teve vários velejadores de altíssimo nível. Dessa forma acho que será uma classe surpresa na minha opinião", contou Walter Böddenner.

A vela em Paris 2024 será disputada na raia de Marselha, cidade que fica a 661 quilômetros de distância da capital francesa. Os fortes ventos chamados mistral podem dar o tom durante o período dos Jogos, que serão disputados de 26 de julho a 11 de agosto de 2024.

"A mudança de classes sempre traz muita apreensão devido aos investimentos já feitos. Mas na verdade, o Brasil tem tradição em medalhas em classes novas. A própria Martine e Kahena foram ouro na estreia do 49erFX na Rio 2016, assim como o Robert Scheidt foi ouro no início da Laser em Atlante 1996! Lá atrás tivemos medalhas no 470, Flying Dutchman e Tornado que eram classes recentes nos Jogos", explicou Ricardo Lobato, especialista em vela.

© Sailing Energy / World Sailing

 

Foto: Sailing Energy

Texto: CBVela

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.

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