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Back in business na Vendée Globe

Antonio Alonso

25/05/2020 14h14

A organização da Vendée Globe deve anunciar nos próximos dias se continuará com o mesmo cronograma para a regata.

A Volta ao Mundo em solitário e sem escalas está programada para largar em 8 de novembro, da França para uma aventura.

Mas enquanto os representantes da Vendée Globe fazem mistério,  os velejadores e suas máquinas IMOCAs já voltam pra água aos poucos.

Desde a segunda semana do mês, navegadores fazem testes com seus 60 pés.

Um deles é o francês Armel Tripon (L'Occitane en Provence), um dos mais cotados a vencer a regata.

"Estamos voltando ao nosso trabalho real, ao trabalho adequado!"

"Quanto mais chegávamos ao final do confinamento, mais o desejo de velejar realmente aumentava. Não navegar gerava uma verdadeira penúria".

Para alguns, esse período se mostrou muito caro em termos de atraso na programação.

A britânica Pip Hare relatou como foi seu trabalho no SuperB (agora Pip Hare Ocean Racing)

"Quando o bloqueio da COVID aconteceu, tínhamos começado a pintar os decks do SuperB e literalmente tivemos que baixar as ferramentas e sair do trabalho por um tempo".

"Basicamente, o programa ficou para trás em cerca de seis semanas".

"Estamos apenas começando a acelerar as coisas novamente e esperamos começar no início de junho".

Nunca esperava ter seis meses de folga. Meu objetivo é tentar estar pronta para a regata classificatória".

Luz no fim do túnel

"O aspecto positivo do confinamento é que fizemos algumas das coisas que planejamos mais tarde, mas realmente o período foi estressante", resume o capitão francês Sébastien Simon (Arkéa-Paprec).

"Eu não sou alguém que precisa se adaptar, eu gosto de estar no controle do meu tempo, de me preparar de maneira ordenada e programada".

"Faz seis meses desde que o barco está na água e isso leva muito tempo agora".

"Mas acho que agora há luz no fim do túnel. Só tenho uma coisa que quero fazer: velejar muito e por muito tempo! "

O alemão Boris Herrmann (Malizia II) relançou seu IMOCA em 20 de maio.

Ele diz que deveria voltar no dia 6 de abril.

"No momento, eu estou impaciente por estar de volta à água, mas, na verdade, tudo correu bem, tínhamos dois ou três caras trabalhando a maior parte do tempo na base, mas não temos nada testado no momento".

O relançamento do Groupe Apicil também foi adiado.

Estava marcado para 10 de maio. Damien Seguin terá que esperar um pouco mais para poder gastar e sua energia latente reprimida de velejar.

O bicampeão paralímpico francês e velejador da última Transat Jacques Vabre sente que não se saiu tão mal.

"Todo esse período fez uma diferença real entre os barcos prontos mais cedo e os prontos mais tarde".

"Tenho sorte, consegui meu parceiro patrocinador mais cedo e meu barco mais cedo. Estou satisfeito com minha preparação e planejamento geral durante os últimos três anos".

E os barcos de nova geração lançados mais recentemente?

Nicolas Troussel, cujo Corum entrou pela primeira vez em 5 de maio, confirma que precisará adaptar seu programa original.

"Tudo foi criado desde o início para que este projeto seja bem-sucedido e forme um lançamento tardio".

"Tudo isso mudou as coisas, mas faremos o máximo que pudermos".

Como citado acima, os velejadores podem correr a Vendée-Arctique-Les Sables d'Olonne, prova de 3.600 milhas náuticas.

É uma regata-teste para a Vendée Globe na costa da França previamente marcada em 4 de julho.

A confirmação se terá ou não prova será no início de junho.

Texto Flávio Perez | Diarinho

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.

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