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Sobre as Águas

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Refeno teve 61 barcos

Antonio Alonso

03/10/2018 20h46

O favoritismo do Patoruzú foi confirmado e a embarcação conquistou o troféu Fita Azul da 30ª Regata Recife-Fernando de Noronha.

Vencendo de ponta a ponta, o barco quebrou a hegemonia do Camiranga e devolveu o título para Pernambucano após cinco anos.

O último havia sido o Ave Rara, em 2013.

Comandado por Higinio Luís Marinsalta, o Patoruzú venceu a Refeno pela primeira vez ao concluir o percurso de 292 milhas náuticas (545 quilômetros) às 14h58 com o tempo de 25h58min12s.

"A regata foi bastante difícil para nós. As primeiras 150 milhas avançamos bem rápido, tivemos vento de mais de 15 nós de velocidade. Porém, entre as 16h e 17h do sábado, quebramos uma adriça e às 21h quebramos o tirante do bombordo. Foi um momento muito tenso, tivemos que parar o barco, chegamos até a pensar em voltar, mas conseguimos fazer a amarração de forma, até certo ponto, segura e viemos poupando o barco desde então. Apenas no fim da manhã soubemos pelo rádio que estávamos perto do título. E estamos muito felizes", afirmou o capitão do Patoruzú, Higinio Marinsalta.

61 barcos correram a tradicional regata brasileira.

A Família Schurmann, a bordo do veleiro Kat, chegou a Fernando de Noronha no início da noite deste domingo (30) e ficou com o vice-campeonato da 30ª Refeno. Eles completaram o percurso de 292 milhas náuticas, ou 545 quilômetros, às 18h25 depois de 30h25min22s de regata.

Estou muito feliz. Fizemos uma regata muito bacana. Saímos com o vento fraco e esse barco, com 90 toneladas, precisa de mais vento. O vento veio e fizemos uma tática de subir mais, orçar e aliviar. Tivemos uma média de 10 nós. Foi excelente e a embarcação se saiu bem. A tripulação também foi muito bacana. Todos com muita vontade, regulando as velas. Foi maravilhoso. Fico muito feliz em ser o primeiro barco de Monocasco a chegar em Noronha", ressaltou o capitão Vilfredo Schurmann.

RGS

o Team Angola Cables chegou em primeiro lugar na classe RGS na 30ª edição da Refeno

Com uma tripulação formada por oito velejadores, barcofez a prova em 31 horas e meia de regata

Foi o terceiro barco a cruzar a linha de chegada em Noronha.

Balanço

Neste ano, 61 embarcações se inscreveram na Refeno com um aumento de 25% comparado às últimas edições. Cinquenta e nove barcos partiram do Marco Zero do Recife, no último sábado (29), e 54 chegaram a Fernando de Noronha.

Duas foram rebocadas para Natal, enquanto outras três ligaram o motor na ida ao Arquipélago e foram desclassificadas. A histórica edição da Refeno reuniu embarcações de 12 estados, além de Rússia e Grã-Bretanha. Pernambuco teve o maior número de participantes com 16 barcos. No total, 447 tripulantes competiram na maior regata oceânica da América Latina.

E, além da competição, que teve o pernambucano Patoruzú como o Fita Azul com o tempo de 25h58min12s, a Refeno 2018 se destacou pelas ações sociais realizadas em Fernando de Noronha. Os inscritos na regata doaram duas horas em pelo menos um dia para realizar atendimentos médicos, odontógicos, jurídicos, além de aulas de vela e entrega de material higiênico e esportivo na Creche Bem-me-quer e Escola Estadual Fernando de Noronha.

"A gente está deixando na Refeno deste ano um legado de ações sociais. Participaram advogados, psicólogos, odontólogos, nutrólogos, nutricionistas (houve também aula de vela para crianças no Porto de Noronha). Então, foi muito importante essa participação. O Cabanga também arca com uma manutenção mensal, mesmo que pequena, em termos de doação para a creche aqui de Noronha", afirmou o Comodoro Delmiro Gouveia.

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.