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Sobre as Águas

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Scheidt inicia carreira como técnico com vitória no Mundial da Dinamarca

Antonio Alonso

02/08/2018 18h58

Scheidt e Torben acompanham a regata vencedora de Jorginho Zarif na Dinamarca

Robert Scheidt iniciou a trajetória como treinador da mesma forma como conduziu – e conduz – a carreira como velejador: com vitória. Sob o comando do bicampeão olímpico, Jorge Zarif ganhou a primeira regata da Classe Finn no Campeonato Mundial de Classes Olímpicas. O torneio é classificatório para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, e as regatas, que começaram nesta quinta-feira (2), seguem até o dia 12 de agosto, na Baía de Aarhus, na Dinamarca.

Satisfeito com a boa estreia do seu atleta, Robert confia em uma boa campanha na Dinamarca. "Apesar de ser um velejador jovem, é bastante experiente. Já disputou duas olimpíadas e, além do quarto lugar na Rio-2016, título mundial e vitórias em Copa do Mundo, veleja na Finn desde os 16 anos e sabe regular o barco, deixá-lo veloz. A minha função é ajustar pequenos detalhes para que ele suba alguns degraus", informou ele, que completa. "Estou tentando ajudá-lo a administrar os riscos de uma competição grande como esta, orientando na raia, nos procedimentos antes da largada, na estratégia das regras e, acima de tudo, tentando mantê-lo focado na competição e ao mesmo tempo calmo".

Em Aarhus, além da luta pela medalha de ouro do Mundial, Zarif busca uma das oito vagas da classe Finn para Jogos de Tóquio-2020. E a disputa promete ser acirrada. Na primeira regata, Jordinho – como é conhecido – terminou empatado com o croata Josip Olujic. Guillaume Boisard (França) e Joan Cardona Mendez (Espanha) aparecem empatados na terceira colocação. Apesar do alto nível da competição, o brasileiro chega com moral alta em função da boa temporada. Após o quinto lugar no Princesa Sofia, em abril, na Espanha, Zarif ganhou as etapas de Hyères (fim de abril) e Marselha (junho), ambas na França, da Copa do Mundo. Em maio, Scheidt fez um treinamento com Zarif no Lago de Garda, na Itália, onde mora.

Confiante na classificação para Tóquio e uma boa participação de Zarif em 2020, Scheidt ainda não definiu se dará sequência as atividades como treinador após o Mundial. "Minha prioridade ainda é velejar. Nesta ano tenho o sul- americano de Star em novembro, no Rio, o SSL Finals, em dezembro, em Nassau, além da vela oceânica na TP52. Desta forma, não tenho temos um plano fixo para depois da Dinamarca, mas se conseguir encaixar, seguirei ajudando. Aceitei o convite do Jorginho porque, além de contribuir para a evolução de um atleta top, posso retribuir para o Brasil e para a vela tudo o que recebi. Quero repassar o conhecimento que acumulei de tantos anos", completou o maior medalhista do Brasil, com cinco pódios.

A competição – Disputado a cada quatro anos, o Mundial de Classes Olímpicas é o principal evento do calendário da World Sailing (Federação Internacional de Vela). A primeira edição foi realizada em 2003, em Cádiz, na Espanha. A competição reúne as dez classes do programa dos Jogos de Tóquio 2020: RS:X masculina, RS:X feminina, Laser, Laser Radial, Finn, 470 masculina, 470 feminina, 49er, 49er FX e Nacra 17. Além disso, haverá disputa também no kiteboard (feminino e masculino).

Além de Jorge Zarif, os velejadores do Brasil no Mundial de Classes Olímpicas 2018 são Martine Grael e Kahena Kunze (49er FX), Carlos Robles e Marco Grael (49er), Fernanda Oliveira e Ana Barbachan (470 feminina), Geison Mendes e Gustavo Thiesen (470 masculina), Henrique Haddad e Felipe Brito (470 masculina), Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino (Nacra 17), João Bulhões e Bruna Martinelli (Nacra 17), Patrícia Freitas (RS:X feminina), Brenno Francioli (RS:X masculina), Bruno Fontes, João Pedro Herrlein Souto de Oliveira e Lucas Bueno (Laser), Gabriella Kidd (Laser Radial) e Cláudio Cruz (Kiteboard).

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.