Sobre as Águas

Caiçara e Caballo Loco: match race na classe C30 em Ilhabela

Antonio Alonso

25/09/2017 16h21

Largada com mais de 20 nós de vento sul em Ilhabela (Edu Grigaitis / Balaio de Ideias)

Líder da temporada, o Caiçara, obteve duas vitórias nas duas regatas deste domingo (24) pela 3ª Etapa do Circuito Ilhabela – Copa Suzuki. A entrosada tripulação do comandante Marcos Cesar busca o terceiro título consecutivo na competição de vela oceânica. Após vencer quatro das oito regatas da etapa, o Caiçara somou 11 pontos perdidos contra 12 do rival Caballo Loco, de Mauro Dottori. O eCycle +Realizado (José Luiz Apud) completou o pódio no Yacht Club de Ilhabela.

O vento sul-sudoeste em torno de 16 nós (30 km/h) permitiu que as regatas fossem disputadas ao centro do Canal de São Sebastião. A expectativa de disputa acirrada entre Caiçara e Caballo Loco se confirmou na primeira regata de domingo. “O Caballo largou na frente e manteve a dianteira até a última perna de popa. O Caiçara, porém, arriscou mais no baixio, junto a São Sebastião e achou um vento melhor para nos ultrapassar e cruzar a linha de chegada em primeiro”, relatou o comandante Dottori.

Antes da regata final, a disputa pelo primeiro lugar da C30 na etapa ficou restrita aos dois barcos. Quem chegasse na frente ficaria no topo do pódio. “O Caiçara largou na frente, mas o Caballo Loco permaneceu no cangote deles o tempo todo. Travamos intensa disputa de bordos no baixio. O Caiçara montou a primeira boia de barlavento na frente e assim seguiu até o fim da regata”, contou Dottori, empolgado com o “match race”.

Regata do vendaval – O Caballo Loco venceu a única regata da classe C30 no sábado (23), impulsionado por rajadas de sudoeste com 25 nós, quase 50 km/h. O Caiçara foi o segundo, com eCycle +Realizado na terceira colocação, seguido por Barracuda e Kaikias. A intensidade do vento aumentou para 28 nós e, por segurança, a Comissão de Regatas optou por cancelar a segunda largada que seria dada em seguida à primeira prova.

“O dia começou com Recon (bandeira de retardamento de largada) devido à falta de vento. De repente, por volta das 13h, entrou o sudoeste com 18 nós. Sustentamos a ponta do início ao fim da regata. Foi bonito de se ver os C30 dispararem no vento em popa a uma velocidade de 17 nós”, enalteceu Dottori, comandante do Caballo Loco.

Caracterizada pelo equilíbrio e pela velocidade dos barcos, a classe C30 motiva ainda mais seus velejadores a cada regata. “Além da incrível disputa entre Caballo e Caiçara, o fim de semana foi excepcional. Destaco a evolução contínua do +Realizado. A C30 foi sem dúvida, a classe mais admirada na raia. As manobras foram espetaculares. Muito lindo”, exclamou Dottori.

As demais classes – Além da C30 com vitória do Caiçara, a 3ª Etapa da Copa Suzuki reuniu 30 embarcações e apresentou os seguintes ganhadores nas outras classes em disputa: Ginga (HPE 25), BL3 (RGS), Asbar II (IRC) e H2Orça (Bico de Proa). A quarta e decisiva etapa da temporada será realizada em 25 e 26 de novembro e em 2 e 3 de dezembro.

Classificação final da C30 na 3ª Etapa da Copa Suzuki

1 – Caiçara (Marcos de Oliveira Cesar): (3)+3+2+1+1+2+1+1 = 11 pontos perdidos
2 – Caballo Loco (Mauro Dottori): 1+1+(3)+2+3+1+2+2 = 12 pp
3 – eCycle +Realizado (José Luiz Apud): 2+(5)+4+3+4+3+3+3 = 22 pp
4 – Barracuda (Humberto Diniz): 4+4+(5)+5+2+4+5+4 = 28 pp
5 – Katana Portobello (Cesar Gomes Neto): 5+2+1+4+{DNC:(7)+7+7+7} = 33 pp
6 – Kaikias (Renata Dcnop): (6)+6+6+6+5+5+4+5 = 37 pp

 

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.

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