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Com criatividade, nova geração de brasileiro se prepara para era dos skiffs
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Antonio Alonso

Neste domingo eu vistei o Yacht Club de Santo Amaro, em São Paulo, e acompanhei a empolgação de garotos e garotas com os barcos da classe 29er, pouco conhecidos mesmo entre os jovens velejadores de ponta. Para alguns, a “Audi 29er Challenge” foi a primeira chance de entrar no barco, uma versão compacta do skiff olímpico, o 49er. Skiffs são monocascos muito velozes e instáveis. Não são novidade pelo mundo. O 49er já está nas Olimpíadas desde Sydney 2000, quando muitos dos velejadores que correram ontem nem haviam nascido. Mas os skiffs nunca “pegaram” de verdade no Brasil. Um fator importante para isso é o preço. Os skiffs eram produzidos em poucos países e chegavam muito caros aqui. A instabilidade do barco é um desafio à parte, mesmo para velejadores experientes. É lendária a final olímpica de 2008, quando todos os 10 barcos classificados viraram em algum momento da regata. E, por fim, o temido ciclo vicioso: sem barcos, não tem flotilha, sem flotilha não tem treino em grupo, não tem regata…

A competição neste fim de semana usou a criatividade para quebrar este ciclo. Com apenas quatro barcos na mão (um emprestado, outros vindos de outros estados), os organizadores montaram uma competição com oito duplas que se revezavam nos 29er. No final, Antonio Aranha e Alexander Essle, do YCSA (Yacht Clube Santo Amaro) venceram o desafio. Mas o que eu vi foi bem mais do que isso. Foram garotos e garotas muito empolgados com um jeito novo de velejar, e alguns deles já pensando na campanha olímpica de 2020.

É cedo para dizer que os skiffs vão pegar por aqui. Mas depois

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Antônio Aranha e Alexander Essle, ambos do Audi YCSA Sailing Team, conquistaram o Audi 29er Challenge neste fim de semana na Represa Guarapiranga

Da ZDL de Comunicação:  Antonio Aranha e Alexander Essle venceram a primeira edição do Audi 29er Challenge neste fim de semana (30 e 31) na Represa Guarapiranga. A dupla do Yacht Club Santo Amaro (YCSA) conquistou duas vitórias e um segundo lugar em três regatas, totalizando quatro pontos perdidos, mesma pontuação de Leo Lombardi e Marcelo Peek (RJ/SP), porém, com vantagem no confronto direto, como critério de desempate. André Fiuza e Stephan Kunath, também do YCSA, ficaram em terceiro, com seis pontos.

Com oito tripulações, cada uma com nome de um carro da Audi, ocupando quatro barcos, em rodízio, Antonio e Alexander chegaram a vencer mais duas regatas no domingo, que seriam quarta e quinta provas, mas outras duplas ainda não haviam deixado o bote de apoio para embarcar no 29er quando o vento noroeste, entre 10 e 12 nós, repentinamente, rondou para sul com rajadas de até 22 nós (40 km/h). Por medida de segurança, a Comissão de Regatas ordenou que os velejadores retornassem ao YCSA.

As regatas que chegaram a ser disputadas no domingo (31) foram canceladas e prevaleceu a classificação do dia anterior, suficiente para validar o campeonato. “O desafio foi muito importante para divulgar a classe e fazer com que mais velejadores conhecessem o barco”, afirmou o vencedor Antonio, representante brasileiro na 29er no Mundial da Juventude, em julho, em Tavira (POR), ao lado de Stephan Kunath.

O novo proeiro de Antonio no Audi 29er Challenge, Alexander Essle, ficou empolgado com a experiência. “Já havia velejado algumas vezes na classe para que o Antonio tivesse adversário durante os treinos. Gosto muito do barco porque é veloz, é divertido, mais fácil de planar. Meu objetivo é correr o Mundial da Juventude de 29er em 2015, na Malásia”, revelou o velejador do Audi YCSA Sailing Team.

Campanha olímpica
O vice-campeão Leo Lombardi, do Iate Clube do Rio de Janeiro, subiu no barco pela primeira vez. “Fiquei impressionado com a rapidez do 29er, mas o barco é mais instável. A velejada torna-se mais desafiadora do que na classe 420 porque no início é difícil conciliar velocidade com estabilidade”. O proeiro Marcelo Peek (YCSA), vice com Lombardi, também é velejador de 420. “Talvez eu faça campanha olímpica de 49er para Tóquio, em 2020”, resumiu Lombardi.

A classe 29er, consolidada principalmente na Europa e na Austrália, é considerada como categoria de acesso à olímpica 49er. As mulheres, mesmo pouco entrosadas com a classe, encararam com boa vontade o Audi 29er Challenge. “Foi minha primeira velejada no barco. Notei que, apesar de monocasco, é semelhante aos catamarãs em que velejo com relação à velocidade. Vieram duplas da Bahia e do Rio. O desafio foi bem interessante”, comparou Caroline Sylvestre, que desenvolve campanhas olímpica de Nacra e pan-americana de Hobie Cat, ao lado de Marcos Ferrari, para os Jogos de 2016 e 2015, respectivamente.

Com apoios da CBVela, que escalou o técnico Bernardo Arndt, o Baby, para acompanhar e orientar as duplas, e da Fevesp (Federação de Vela do Estado de São Paulo, os organizadores consideraram a missão cumprida. “O objetivo de reunir os velejadores interessados em conhecer melhor a classe, foi atingido. Eles viram que o barco é moderno, veloz e que plana sem muita dificuldade”, considerou o gerente geral do YCSA, Marcos Biekarck. A North Sails também apoiou a iniciativa.

O YCSA conta com três embarcações 29er. Um é de Antonio Aranha, outro dos gêmeos Philipp e Alexander Essle e o terceiro do Audi YCSA Sailing Team. “Pretendemos organizar até o final do ano mais dois desafios com esse formato, com disputa das regatas em revezamento. Os velejadores aprovaram”, concluiu o coordenador náutico do YCSA, Marco Del Porto, também coordenador nacional da classe 29er.

Classificação final
1º Aranha/Essle (YCSA) – 4 pontos – Equipe Audi R8
2º Lombardo/Peek (ICRJ/YCSA) – 4 pontos – Equipe Audi RS6
3º Fiuza/Kunath (YCSA) – 6 pontos – Equipe Audi Q5
4º Philipp/Hilbert (YCSA/ICRJ) – 6 pontos – Equipe Audi RSQ3
5º Guguinha/Breno (ICRJ) – 8 pontos – Equipe Audi Q3
6º Irmãos Carvalho (YCBahia) – 9 pontos – Equipe Audi RS7
7º Cruz/Sylvestre (YCB/YCSA) – 14 pontos – Equipe Audi S3
8º Hollnagel/Buuk (YCSA) – 15 pontos – Equipe Audi Q7

Yacht Club Santo Amaro – Fundado em 1930, o YCSA consolidou-se ao longo de oito décadas como um celeiro de campeões da vela à margem da Represa de Guarapiranga, extremo sul de São Paulo. Conhecido também por Clube dos Alemães, devido à origem de seus fundadores, o YCSA sustenta como principal missão revelar os talentos para a vela brasileira. Campeões e medalhistas olímpicos, mundiais e pan-americanos como Robert Scheidt, Alex Welter, Cláudio Biekarck, Reinaldo Conrad, Peter Ficker, Gunar Ficker e Marcelo Batista elevaram o Brasil em suas conquistas nas principais competições mundiais.

O Audi YCSA Sailing Team foi formado no início de 2014 com o objetivo de reforçar a missão de formar os futuros velejadores. O projeto abrange 40 atletas da Vela Jovem distribuídos entre as classes Optimist, 420, Laser, 29er e Byte. O apoio está voltado para a aquisição de barcos e velas, contratação de técnicos especialistas nas classes envolvidas e viabilização de viagens para intercâmbio e disputa das principais competições internacionais. Robert Scheidt, o maior atleta olímpico brasileiro em todos os tempos e ganhador de 14 títulos mundiais entre as classes Laser e Star, é o embaixador da marca no País.

Mais informações no site ycsa.com.br
Fanpage no Facebook: www.facebook.com/yachtclubsantoamaro

Tags : 29er skiffs


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