Topo
Sobre as Águas

Sobre as Águas

Star Sailors League Finals começa com tempestade e vitórias brasileiras

Antonio Alonso

06/12/2018 10h26

Ventos acima de 25 nós (50 km/h) quebram o mastro do barco neozelandês (Marc Roullier / SSL)

O adiamento das regatas na véspera por falta de vento foi compensado nesta quarta-feira (05) com rajadas de 25 nós, tempestade e adrenalina na Baía de Montagu. A esquadra brasileira soube lidar com as condições meteorológicas de Nassau, nas Bahamas. As duplas Scheidt/Boening e Lars/Samuca venceram as duas primeiras provas da Star Sailors League Finals com vento de oeste a noroeste com cerca de 12 nós (20 km/h).

Na segunda metade da quarta e última regata do dia, a situação se tornou extrema. As rajadas chegaram a 25 nós e uma tempestade momentânea contemplou a vitória de Bruno Prada ao lado do norte-americano Augie Diaz. A raia virou um campo de batalha e uma das vítimas foi o neozelandês Hamish Pepper, que teve o mastro de seu barco quebrado.

Após quatro regatas e um descarte, o único do campeonato, Scheidt e Maguila lideram com seis pontos perdidos, dois de vantagem sobre Mendelblat e Fatih. O primeiro objetivo das 25 duplas é de se manterem entre as dez melhores após as 11 regatas da primeira fase. Mais quatro provas estão programadas para esta quinta-feira a partir das 11h (14h de Brasília), ao vivo pelo site: finals.starsailors.com

Samuel Gonçalves, o Samuca, destacou o momento especial dos brasileiros em meio a tempestade na quarta regata. "Se tirássemos os americanos, seria um campeonato nacional, o que comprova o talento do velejador brasileiro em qualquer condição. Foi muito legal". Os quatro barcos com tripulantes brasileiros se mantiveram à frente da flotilha.

O campeão mundial de Star de 2018, Jorge Zarif é o sétimo colocado geral ao lado de Pedro Trouche. "O Pedro fez o trabalho dele muito bem, mas eu não tive um dia inspirado. Não fui bem na tática, mas com tantas oscilações entre os competidores, o importante é se manter entre os dez", considerou o parceiro de Pedro Troucher.

"Eu estava nervoso, ansioso pela estreia na SSL Finals. Quando o nível é elevado, é preciso muito respeito com os adversários. Ao longo das regatas fomos ajustando o barco e ganhando velocidade. Foi muito bom", avaliou Trouche, pela primeira vez em Nassau.

Sol, vento e tempestade – Primeiro campeão da SSL Finals em 2013 com Prada, Scheidt venceu a regata de abertura de 2018 com relativa tranquilidade ao lado de Henry Boening, o Maguila. A dupla dominou a prova e cruzou a linha de chegada com 27 segundos de vantagem sobre os poloneses Kuznierewickz e Zycki após percorrerem 7,6 km em 43 minutos.

Na segunda regata do dia os brasileiros também chegaram na frente. Lars e Samuca venceram de ponta a ponta chegando 40 segundos à frente da dupla Melleby (NOR) e Revkin (EUA) após 50 minutos de prova. Mendelblat e Fatih, (EUA) venceram a terceira regata após ultrapassarem Kusznierewickz e Scheidt, segundo e terceiro colocados, na última perna de contravento. Bruno Prada com Augie Diaz (EUA) repetiram o sétimo lugar da prova anterior.

A disputa pelas primeiras posições na quarta e última prova do dia foi monopolizada pelos brasileiros com os oito velejadores do País entre os seis primeiros colocados. Diaz e Prada largaram na frente e não permitiram que os adversários reagissem. Venceram com 21 segundos de vantagem sobre Scheidt e Maguila após 45 minutos de disputa.

Os dez primeiros após 4 regatas (um descarte)

1 – Scheidt/Boening (BRA): 1+(17)+3+2 = 6 pontos perdidos

2 – Mendelblat/Fatih (EUA): (6)+4+1+3 = 8 pp

3 – Negri (ITA)/Kleen (ALE): 3+5+5+(20) = 13 pp

4 – Diaz (EUA)/Prada (BRA): (8)+7+7+1 = 15 pp

5 – Kusznierewickz/Zycki (POL): 2+11+2+(15) = 15 pp

6 – Melleby (NOR)/Revkin (EUA): 11+2+(11)+6 = 19 pp

7 – Zarif/Bolder (BRA): 10+(12)+10+4 = 24 pp

8 – Grael/Gonçalves (BRA): 16+1+(19)+8 = 25 pp

9 – Loof (SUE)/Natucci (ITA): 12+(14)+4+9 = 25 pp

10 – Szabo (EUA)/Cher (CAN): (21)+3+8+18 = 29 pp

12 – Cayard (EUA)/Lopes (BRA): 13+13+(14)+5 = 31 pp

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.