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Sobre as Águas

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Começa no Rio de Janeiro, maior desafio do ano para os barcos HPE 25

Antonio Alonso

15/11/2018 11h34

Emoção e adrenalina na Classe HPE 25 (Marcos Méndez / SailStation)

Chegou o momento de maior adrenalina na temporada para as tripulações do 14º Campeonato Brasileiro de HPE 25, a mais ativa entre as classes oceânicas do País. Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ), barcos e velejadores estão prontos para o desafio anual a partir desta quinta-feira (15), feriado da Proclamação da República, até o próximo domingo. São esperadas 30 embarcações. As inscrições seguem até a manhã desta quinta.

O Rio de Janeiro recebe o Brasileiro nos anos pares, intercalando o evento com Ilhabela, sede nos anos ímpares. Diante do equilíbrio da classe, pelo menos 30% dos barcos podem ser incluídos entre os favoritos na opinião dos velejadores. A Comissão de Regatas (CR) espera realizar oito provas no formato barla-sota (entre duas boias), com duas largadas por dia na Baía de Guanabara. A partir da quinta prova, descarta-se o pior resultado.

Campeão brasileiro em 2008, em Búzios, o Bond Girl costuma correr bem em águas cariocas. No domingo (11) foi vice-campeão da Copa Gil Souza Ramos, atrás do Ginga, na mesma raia onde será o Brasileiro. "Neste ano temos pelo menos oito ou nove barcos com possibilidades reais de ganhar o campeonato. Todo mundo vai andar junto, por isso, largar bem será fundamental", afirma o timoneiro do Bond Girl, da Flotilha Guarapiranga, Rique Wanderley.

As flotilhas Rio de Janeiro e Ilhabela também participam em massa do Campeonato Brasileiro. O carioca Cássio Ashauer, comandante do Take Ashauer, alerta para a dificuldade que as correntes podem oferecer. "É uma das raias mais desafiadoras do Brasil por causa da variação da correnteza. Com 30 barcos fica ainda mais difícil, mas além do pessoal do Rio, tem muita gente bem preparada como Phoenix (Guarapiranga) e o Ginga (Ilhabela)"0, avalia Ashauer, medalha de bronze na Semana de Vela de Ilhabela de 2018.

Tripulação eclética – O angolano José Guilherme Caldas e o baiano Leonardo Chicourel estão entre os quatro tripulantes do Mussulo Angola Cable. A dupla concluiu há um ano a Transat Jacques Vabre, entre Le Havre (FRA) e Salvador, após 22 dias de navegação em um barco de 40 pés. "Ainda estamos nos adaptando ao barco HPE 25. Corremos apenas a Semana de Vela de Ilhabela e um fim de semana da Copa Suzuki", conta o neurocirurgião Caldas, comandante do barco de Ilhabela.

Os tripulantes do Mussulo chegaram ao Rio de Janeiro com três dias de antecedência para conhecer melhor os "atalhos" da raia. "Velejei muito de Laser na Baía de Guanabara. Nosso tático e proeiro, Rafael Martins também está acostumado às condições do Rio. Somos iniciantes na classe, mas estamos otimistas", declara Caldas, terceiro colocado na categoria Silver na Semana de Vela de Ilhabela deste ano, que teve o Ginga como pentacampeão na HPE 25.

Campeões Brasileiros da Classe HPE 25*

2007 / Ilhabela – Tigre (Marcos Adler – RJ)

2008 / Búzios – Bond Girl (Rique Wanderley – SP)

2009 / Ilhabela – Tigre (Marcos Adler – RJ)

2010 /Angra dos Reis – Max (Bruno Prada – SP)

2011 / Ilhabela – Ginga (Breno Chvaicer – Ilhabela)

2012 / Rio de Janeiro – Atik (Henrique Hadad – RJ)

2013 / Ilhabela – Ginga (Breno Chvaicer – Ilhabela)

2014 / Rio de Janeiro – Relaxa (Haroldo Solberg – RJ)

2015 / Ilhabela – Magoo (Augusto Falletti – SP)

2016 / Rio de Janeiro – Rio Sail Tech (Victor Demaison Jr. – RJ)

2017 / Ilhabela – Phoenix (Eduardo Souza Ramos – SP)

* Em 2005 e 2006 houve disputa informal da classe. O Campeonato Brasileiro de HPE 25 teve início oficial em 2007.

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.