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Arquivo : Vela feminina

‘Quase brasileira’ integra barco chinês na Volvo Ocean Race 2017-18
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Antonio Alonso

Carolijn Brouwer, Dongfeng Race Team.

A equipe do Dongfeng Race Team anunciou a contratação de duas velejadoras para a edição 2017-18 da Volvo Ocean Race. A holandesa criada no Brasil Carolijn Brouwer e a francesa Marie Riou integram o barco chinês na regata. A chegada das atletas marca um novo momento da Volta ao Mundo com as regras para impulsionar tripulações com homens e mulheres juntos. As velejadoras, que somam ao todo cinco participações em olimpíadas, foram chamadas pelo comandante francês Charles Caudrelier para se juntar a Jerémie Beyou (França), Stu Bannatyne (Nova Zelândia) e Daryl Wislang (Nova Zelândia).

A holandesa Carolijn Brouwer fala perfeitamente o português! A atleta foi criada no Brasil, mais precisamente em Niterói (RJ) e Belo Horizonte (MG). Foi com a família Grael que a holandesa de 43 anos aprendeu as manhas da modalidade. Em seu país, Carolijn Brouwer é apontada como uma das melhores da modalidade com três participações olímpicas. São duas aparições na Volvo Ocean Race ( Amer Sports Too em 2001-012 e Team SCA em 2014-15) foram de destaque. Na parada de Itajaí, em 2015, ela foi a mais festejada quando o Team SCA aportou na Vila da Regata.

“Estou muito orgulhosa de fazer parte da equipe. Uma das razões pelas quais eu queria me juntar ao Dongfeng Race Team é por causa de seu forte espírito de equipe. A Volvo Ocean Race é única. É um desafio físico e mental. Minha meta será vencer a regata”, disse Carolijn Brouwer.

A outra atleta contratada pelo Dongfeng Race Team é a francesa Marie Riou, de 35 anos. Com duas olimpíadas no currículo – uma delas a Rio 2016 na classe NACRA 17 – a velejadora conta com quatro títulos mundiais na categoria. Riou fará sua estreia na Volta ao Mundo. “Eu queria participar da Volvo Ocean Race desde os meus 10 anos de idade. Embora a minha principal experiência seja nas regatas costeiras, sempre sonhei em navegar pelo mar adentro”.

A dupla foi escolhida depois de uma série de testes e análises dentro e fora d’água na Austrália e Portugal. Charles Caudrelier, que será skipper do Dongfeng pela segunda vez consecutiva, aprovou as duas velejadoras escolhidas. “Eu chamei a Carolijn, pois ela nos venceu várias vezes quando integrava o Team SCA nas In-Port Races. Ela trabalha muito bem no leme e tem um passado olímpico de sucesso. Isso lhe deu velocidade e conhecimento do momento certo de imprimir essa rapidez”.

Sobre Marie Riou, o comandante elogiou sua experiência olímpica e seus conhecimentos de vela. “Ela é da Bretanha (região da França com tradição em vela oceânica), tem força e está acostumada a velejar com os caras”. A classe NACRA é a única do calendário olímpico que exige um velejador e uma velejadora.

Marie Riou, Dongfeng Race Team.

A seleção de Brouwer e Riou é o primeiro sinal de que a mudança de regra, trazida pela Volvo Ocean Race nesta edição, a fim de incentivar as mulheres, terá um impacto significativo na modalidade. As equipes masculinas serão limitadas a apenas sete atletas, mas os times que incluírem mulheres poderão escolher algumas combinações, incluindo sete homens e mais uma ou duas mulheres e cinco homens e cinco mulheres. O restante da equipe do Dongfeng será anunciado nos próximos dias.

O Dongfeng é um dos três times confirmados até o momento ao lado de Team AkzoNobel (Holanda) e MAPFRE (Espanha). A quarta equipe será anunciada até o fim de março.

A regata começa em 22 de outubro em Alicante e passará por Lisboa, Cidade do Cabo, Melbourne, Hong Kong, Guangzhou, Auckland, Itajaí, Newport Rhode Island, Cardiff e Gotemburgo, antes do grande final em Haia, no fim de junho.

Velejadora: Carolijn Brouwer

Nascimento: 25 de julho de 1973

Local de nascimento: Leiden, Holanda

Número de Volvo Ocean Races: 2

Currículo: três participações olímpicas e vários títulos mundiais

 

Velejadora: Marie Riou

Nascimento: 21 de agosto de 1981

Local de nascimento: Plougastel-Daoulas, França

Currículo: duas participações em olimpíadas e quatro títulos mundiais


Volvo Ocean Race muda as regras para manter a evolução da vela feminina
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Antonio Alonso

Corinna Halloran/Team SCA/Volvo Ocean Race

Foto: Corinna Halloran/Team SCA/Volvo Ocean Race

• Times 100% femininos continuam a valer para incentivar as melhores velejadoras do mundo.
• Combinações diferentes entre homens e mulheres entre as etapas podem ajudar os comandantes em suas estratégias de acordo com as condições impostas.
• A regra dos velejadores com menos de 30 anos continua valendo.

ALICANTE, Espanha – A Volvo Ocean Race está fazendo uma de suas maiores mudanças de regras para incentivar a vela feminina a competir no mais alto nível na edição 2017-18. A partir de agora, as equipes exclusivamente masculinas terão apenas sete velejadores a bordo – um a menos do que na temporada anterior. As equipes que misturarem homens e mulheres serão mais numerosas.

As combinações possíveis para 2017-18 serão:

7 homens

7 homens e 1 ou 2 mulheres

7 mulheres e 1 ou 2 homens

5 homens e 5 mulheres

11 mulheres

Segundo as novas regras da edição 2017-18 da Volvo Ocean Race, as equipes estão autorizadas a mudar suas tripulações entre as pernas da regata. O evento, que começa em outubro do próximo ano, visita 11 cidades ao redor do mundo, incluindo as paradas de Lisboa, em Portugal, e Itajaí, no Brasil. O número de atletas muda visando também o crescimento da vela feminina.

A lista dos atletas pode seguir as regras acima, mas deverá ser preservada para a In-port Race (Regata Local) e para etapa seguinte – exceção para o time só com homens a bordo, que pode adicionar uma mulher para a In-port.

Ian Walker, atual campeão da Volvo Ocean Race, comentou a decisão: “Se as mulheres velejadoras querem competir no mais alto nível, então elas precisam treinar e competir contra os melhores”.

“Seria muito difícil competir essa regata com apenas sete pessoas a bordo. Principalmente contra times com oito e nove atletas. A nova regra vai dar força às mulheres, além de dar chance para aprendizagem”.

O movimento segue o sucesso da campanha do Team SCA de 2014-15. As meninas venceram uma etapa – feito inédito em 25 anos, ficaram em terceiro lugar no paralelo das In-port Races e mostraram que eram mais do que capazes de brigar de igual para igual com os homens.

“Não se trata de baixar o nível da modalidade como pode parecer – na verdade é o inverso – e sim dar oportunidade para as melhores velejadoras do sexo feminino no mundo de competir em igualdade de condições. A vela é uma das poucas modalidades onde você realmente pode misturar atletas. Nós queremos tirar proveito disso”, disse Mark Turner, CEO da Volvo Ocean Race.

“O projeto do Team SCA na última regata foi um grande recomeço para a vela feminina. Nos 12 anos anteriores ao time feminino apenas a australiana Adrienne Cahalan (na primeira perna da edição 2005-06 a bordo do Brasil 1) correu. Nós estamos determinados a construir esse legado e que a participação de homens e mulheres juntos seja continua.

Turner continuou: “Estamos usando as regras da tripulação para incentivar os skippers a trazer uma ou mais atletas do sexo feminino a bordo nos times. Eu realmente espero que essas regras não sejam necessárias no futuro, mas hoje é a única maneira que temos para manter o progresso”.

A regata, que celebrou seu 43º aniversário em setembro, tem uma longa história envolvendo velejadoras do sexo feminino! Mais de 100 mulheres (e mais de 2000 homens) competiram desde sua primeira edição, em 1973.

“Estamos determinados em manter a presença feminina na regata de volta ao mundo. A proporção de mulheres na vela está crescendo muito no planeta”, explicou o diretor de regata, Phil Lawrence.

E a notícia da mudança nas regras teve uma reação positiva entre as velejadoras! “É uma novidade fantástica para as atletas de elite não apenas na modalidade vela, mas no esporte como um todo”, disse a britânica Dee Caffari, que já deu a volta ao mundo em solitário e correu a edição 2014/15 a bordo do Team SCA.

“Foi muito significativo fazer parte de uma equipe feminina na regata. O objetivo foi mudar a percepção das mulheres na vela, mostrando que podemos competir nos barcos nas mesmas condições”.

Caffari acrescentou: “Estou animada para ver esse conceito de equipes mistas evoluir. Eu acredito que tenham muitas meninas no mundo prontas para executar esse desafio e ganhar espaço”.

A organização da regata reafirmou o compromisso com a renovação. Dois tripulantes em cada barco devem ter menos de 30 anos, assim como em 2014-15.

Marc Bow / Volvo Ocean Race

Foto: Marc Bow / Volvo Ocean Race

Paul Todd/Volvo Ocean Race

Foto: Paul Todd/Volvo Ocean Race

Ainhoa Sanchez/Volvo Ocean Race

Foto: Ainhoa Sanchez/Volvo Ocean Race


Meninas do Team SCA voltam a vencer regata local. Agora na Nova Zelândia.
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Antonio Alonso

Volvo Ocean Race 2014-15 - Auckland Stopover

Volvo Ocean Race

A Regata Local ou In-Port Race de Auckland foi realizada neste sábado (14) na cidade neozelandesa e a vitória foi do Team SCA, time formado apenas por mulheres. É a segunda vitória das meninas nessa prova da Volvo Ocean Race, que é tradicional em todas as paradas, mas que não vale pontos para a classificação geral. Apenas para o desempate.

Volvo Ocean Race 2014-15 - Auckland Stopover

“Fizemos uma super regata. A prova não foi fácil, mas o trabalho de equipe funcionou. Foi perfeito”, falou Sam Davies, comandante do Team SCA.

Com a holandesa Carolijn Brouwer no leme, o Team SCA dominou a in-port desde a primeira bóia e nenhuma das outras cinco equipes conseguiu mudar o resultado.

“Nosso time veleja muito bem nesse barco. Foi a melhor coisa que nos ocorreu. Entramos com moral na perna cinco”, disse a britânica Dee Caffari.

A diferença foi de 20 segundos para o Team Brunel, segundo colocado. Em terceiro ficou o MAPFRE do brasileiro André ‘Bochecha’ Fonseca.

“As condições não estavam fáceis, pois teve vento rápido, depois a intensidade diminuiu, a direção mudou e a gente trocou velas a todo instante”, explicou o brasileiro André Fonseca, encarregado da ltáctica nesta In-Port.

A segunda vitória das meninas do Team SCA – fato inedito até então – equilibra o campeonato das regatas locais. A equipe venceu também a prova de Abu Dhabi, no início do ano.

O Abu Dhabi está empatado em primeiro com o Dongfeng com 14 pontos. O Team SCA tem 16.

A regata foi realizada mesmo com a ameaça do ciclone PAM que promete entrar na região do Oceano Pacífico nas próximas horas. Por esse motivo, a largada para Itajaí, no Brasil, foi adiada para a próxima terça-feira (17).

A quinta etapa da Volvo Ocean Race terá 6.776 milhas (12.549 quilômetros) entre Auckland (Nova Zelândia) e Itajaí (Brasil). Será a mais longa e desgastante prova da Volta ao Mundo.

Ciclone

O ciclone Pam, um dos mais fortes dos últimos 40 anos no sul do Pacífico, fez estragos em Vanuatu, uma ilha próxima. O fenômeno deve chegar a Nova Zelândia enfraquecido entre domingo à noite e segunda-feira de manhã, mas as ondas de 20 metros e os ventos de mais de 60 nós obrigaram a organização a desmontar a Vila da Regata e adiar a largada.

Resultado da New Zealand Herald Auckland In-Port Race:

1. Team SCA
2. Team Brunel
3. MAPFRE
4. Dongfeng Race Team
5. Team Alvimedica
6. Abu Dhabi Ocean Racing

Classificação das In-Port Races:

1. Abu Dhabi Ocean Racing – 14 pontos
2. Team Brunel – 14 pontos
3. Team SCA – 16 pontos
4. Dongfeng Race Team – 18 pontos
5. Team Alvimedica – 20 pontos
6. MAPFRE – 25 pontos
7. Team Vestas Wind – 36 pontos


VOR: Brasileiros relatam dificuldades para atravessar o Estreito de Malaca‏
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Antonio Alonso

Volvo Ocean Race

A passagem dos barcos da Volvo Ocean Race pelo Estreito de Malaca tira o sono dos velejadores. O local, que fica entre a ilha de Sumatra e a Malásia, é considerado o maior pesadelo da terceira etapa da Volta ao Mundo. Apesar de conhecer os perigos do local, os atletas precisam ficar em alerta o tempo tempo, já que a poluição na água e os riscos de colisão com outras embarcações são enormes. “São vários barcos de pesca e muito lixo na água”, alertou a meio holandesa e meio brasileira Carolijn Brouwer, integrante do Team SCA, equipe 100% feminina na regata. “Temos que ficar em alerta para não acumular lixo na quilha e no leme. Isso reduz a velocidade do barco”.

Carolijn Brouwer continuou: “O vento está muito fraco, o que é normal nessa área de Malaca. Quando passamos por zonas instáveis, nós somos obrigadas a fazer mais manobras para colocar o barco andando”.

O brasileiro André ‘Bochecha’ Fonseca, que integra o espanhol MAPFRE, também falou das dificuldade do Estreito de Malaca. “É um lugar bastante perigoso por causa da quantidade de barcos e navios por aqui. Hoje com sistema eletrônico, GPS e as informações de radar é possível evitar problemas. O maior perigo de passar por Malaca é velejar com muito vento e onda”, disse o brasileiro André ‘Bochecha’ Fonseca. “A gente pegou pouco vento e o barco tem se movido pouco. Dá para controlar o cruzamento com os navios. Até agora tudo bem”.

O MAPFRE de Bochecha teve de ancorar durante a manhã para evitar andar para trás. “A terceira perna da regata está emocionante, com os barcos adversários por perto. A todo momento trocamos velas e fazemos manobras. Tem sido muito difícil, pois o vento é imprevisível, principalmente à noite, deixando a gente bastante cansado”, destacou André ‘Bochecha’ Fonseca.

Na atualização da tarde desta quarta-feira (21), o chinês Dongfeng segue tranquilo em primeiro lugar, já embicando para fora da Malásia. Na sequência aparacem pela ordem: Abu Dhabi, Team Alvimedica, Team Brunel, MAPFRE e Team SCA. A terceira etapa, entre os Emirados Árabes Unidos e a China, deve terminar na próxima semana. A passagem pelo local aumentou em alguns dias a estimativa de chegada. Por isso, as tripulações já começam a fazer o racionamento de comida a bordo.


2015 começa com o pé direito para as meninas do Team SCA na VOR
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Antonio Alonso

Volvo Ocean Race

 

O Team SCA, equipe 100% feminina na Volvo Ocean Race, venceu, nesta sexta-feira (2), a Regata Local ou In-Port Race de Abu Dhabi. A prova antecede a largada da terceira etapa e é realizada em todas as cidades-sede da Volta ao Mundo. O time da Suécia escolheu a melhor estratégia para os ventos fracos do dia – média de 5 nós, fez manobras limpas e surpreendeu os adversários do começo ao fim. Na montagem da primeira boia, as meninas já estavam em primeiro lugar. A equipe teve a holandesa quase brasileira Carolijn Brouwer como timoneira. A velejadora, que aprendeu a modalidade em Niterói (RJ) com a família Grael, foi fundamental na disputa.

“Foi um trabalho em equipe bem feito”, disse a holandesa, que fala perfeitamente o português por ter morado tanto tempo no Brasil. “A vitória nos dá mais confiança para as próximas etapas”.

O Team SCA dedicou a vitória a tripulante Sophie Ciszek. A proeira está de repouso após fazer uma cirurgia de hérnia de disco. “O ambiente está muito bom a bordo e essa vitória nos dá moral para a largada da terceira etapa”, explicou a comandante Sam Davies. A segunda posição da In-Port Race ficou com o Team Brunel, seguido pelos donos da casa, o Abu Dhabi Ocean Racing e Dongfeng. Team Alvimedica e MAPFRE fecharam a prova em quinto e sexto lugares, respectivamente.

No início da manhã deste sábado (3), a flotilha larga para a terceira etapa da Volvo Ocean Race, entre Abu Dhabi e Sanya. O percurso será de 4.670 milhas náuticas e vai passar pelo Estreito de Malaca, um dos mais complicados do mundo. Os fãs da Volta ao Mundo poderão assistir a largada no canal oficial da Volvo Ocean Race do Youtube.


Vitória de Martine no Mundial é evento histórico para Vela brasileira
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Antonio Alonso

A esta altura todos estamos comemorando o título Mundial de Martine Grael e Kahena Kunze em Santander, na Espanha. Merecido. A dupla venceu com uma velejada digna de melhores do mundo. Saíram atrás, sabiam o que tinham de fazer e, na última perna, ultrapassaram as dinamarquesas que até então seriam as campeãs mundiais.

Mas a vitória de Martine Grael e Kahena Kunze significa muito mais do que a revelação de um enorme talento, ou da consagração da filha de Torben Grael. Essa vitória é histórica dá à Vela brasileira uma dignidade que há muito tempo era devida. Se o bronze de Fernanda Oliveira e Isabel Swan na Olimpíada de 2008 tirou nossa vela feminina da pré-história, esse título de Martine Grael dignifica um país que nunca deu bola de verdade para suas velejadoras. Não foi por falta de professores, de clubes ou de talentos. Foi porque não demos bola mesmo. Nem precisamos olhar muito para trás, basta lembrar de outra dupla campeã mundial, Laura Zanni e Isabel Ficker, campeãs do Mundial da Juventude na 420 e que abandonaram o esporte pouco depois. Quem não se lembra do talento fenomenal de Mariana “Didi” Basílio? Outra também não encontrou no Brasil as condições para ser a atleta que poderia ter sido. Foi preciso o talento e a persistência até então inéditos, trazidos pela gaúcha Fernandinha Oliveira, para que o Brasil comemorasse uma medalha olímpica na vela feminina. Quatro décadas depois da nossa primeira medalha com os homens.

E não pensem que venho aqui fazer coro com os que pensam que o Brasil é péssimo, um país onde o esporte não é valorizado. Muito pelo contrário. O Brasil tem várias (mesmo) iniciativas inéditas em prol do Esporte de alto nível. A responsabilidade é nossa, torcedores, velejadores, técnicos, patrocinadores. Nós é que deixamos tantos talentos a um passo da glória. Entre outros motivos menores porque ainda somos, sim, machistas a valer.

Parabéns Martine e Kahena. Parabéns, mulheres. A Vela agradece. O Brasil agradece.

©jesusrenedo/sailingenergy

Martine e Kahena em ação no Mundial de Vela

Da MKT MIX:

Dupla garante a única medalha para o Brasil no Mundial de Vela; Martine e Kahena desembarcam no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, nesta segunda, 22/09, às 17:15

Domingo histórico para o esporte brasileiro. As velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze, com apenas 23 anos, conquistaram o Mundial de Vela de Santander, na Espanha, pela classe 49erFX. O título coroou a temporada espetacular da dupla brasileira em 2014 e foi a única medalha do país na competição. A prata ficou com as dinamarquesas Ida Marie Nielsen e Marie Olsen e o bronze com as italianas Giulia Conti e Francesca Clapcich.

“É maravilhoso! Estamos muito felizes. Foi difícil, pois o vento estava bastante rondado, mas sabíamos tudo o que estávamos fazendo”, disse Martine Grael.

O campeonato começou com pouco vento e regatas canceladas, mas os três últimos dias de prova foram emocionantes. Martine e Kahena brigavam ponto a ponto com a dupla da Dinamarca Ida Marie Nielsen e Marie Olsen, e para a medal race a diferença entre elas era de apenas dois pontos, com as europeias na frente.

Para garantir o ouro, Martine e Kahena precisavam chegar na frente das dinamarquesas na final. Com uma largada não muito boa, as brasileiras fizeram uma prova de recuperação fantástica e na última volta ultrapassaram as adversárias. A partir daí foi só manter a calma e comemorar muito com o público que assistia tudo bem de perto.

“Foi muito bom disputar esta regata com tanta gente torcendo por nós. Foi emocionante”, disse Kahena Kunze.

O Mundial de Vela reuniu durante duas semanas os principais velejadores do mundo na baía de Santander. A competição, que terminou neste domingo, definiu 50% das vagas da Vela para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Por ser o país sede, o Brasil já possui vaga em cada uma das dez classes olímpicas.

Martine Grael e Kahena Kunze começaram a competir juntas na 49erFX no final de 2012, quando a classe foi oficializada pela ISAF. Mas a parceria de sucesso começou em 2009, quando a dupla foi campeã mundial junior na classe 420.

Na primeira temporada pela nova classe olímpica, em 2013, Martine e Kahena foram vice-campeãs mundiais, vice-campeãs europeias, campeãs do norte-americano de vela, campeãs da etapa de Miami da Copa do Mundo de Vela e campeãs sul-americanas. Resultados que garantiram a liderança do ranking mundial da classe em novembro do ano passado. Desde então, a dupla brasileira reina absoluta no topo da classificação.

O Mundial é o sexto título de Martine Grael e Kahena Kunze em 2014. Nesta temporada as velejadoras também conquistaram as etapas de Hyères e Mallorca da Copa do Mundo de Vela da ISAF, a Semana Olímpica de Garda Trentino, a Copa Brasil de Vela e a medalha de ouro no Aquece Rio International Sailing Regatta, evento teste para os Jogos Olímpicos, em agosto, no Rio. Além disso, foram também vice-campeãs dos campeonatos norte-americano e europeu, além do quarto lugar na etapa de Miami da Copa do Mundo de Vela.

Resultado Mundial de Vela – 49erFX
1) Martine Grael e Kahena Kunze (BRA) – Ouro

2) Ida Marie Nielsen e Marie Olsen (DIN) – Prata
3) Giulia Conti e Francesca Clapcich (ITA) – Bronze

Acompanhe as notícias da dupla nas redes sociais:
Página oficial da dupla Martine Grael e Kahena Kunze


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