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Arquivo : Soto 40

Por que os gringos andam levando tudo na Soto 40?
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Antonio Alonso

Marcos Mendez/Mitsubishi

Mundial de Soto 40

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Tripulação do Patagonia comemora título com uma regata de antecipação

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Patagonia, os campeões argentinos foram o barco mais bem preparado do Mundial

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Pajero, melhor tripulação brasileira na atualidade

O Campeonato Mundial de Soto 40 em Florianópolis acabou nesta quinta-feira em Florianópolis com a previsível vitória dos argentinos do Patagonia. Com apenas duas vitórias em toda competição (menos do que o Pajero, segundo colocado), os argentinos do Patagonia foram inegavelmente os mais regulares na competição. A superioridade dos gringos lembrou outros tempos do barco uruguaio Negra e do próprio Patagonia, que em diferentes momentos foram os “imbatíveis” da Soto.

Por mais que nós, brasileiros, resistamos em admitir, a primeira explicação para isso é simples: os caras são bons. Talvez eu pudesse parar por aí, já satisfeito com a resposta. Mas o contraponto é que os brasileiros também são bons. O Pajero, que ficou em segundo lugar, foi consistentemente melhor que o Patagonia na segunda metade da competição.

Mas esses não são campeonatos de metades.

Ficou claro nesta competição que não há mais barcos imbatíveis, como o Negra uma vez foi. Mas os gringos ainda estão melhor preparados, priorizando esta competição e gastando muita energia na preparação. Nós temos Torben, mas no comando de um barco muito menos preparado para o Mundial do que estava o Patagonia. Os resultados mostram isso claramente.

O Pajero, vice-campeão mundial, superou o Crioula e hoje é a melhor tripulação brasileira. O que falta para o título mundial?

Release final da competição:

Em dia com chuva e queda na temperatura, os 110 tripulantes vindos de diversos países disputaram as últimas regatas do mundial

Florianópolis, 16 de abril de 2015 – Depois de liderar a classificação geral desde a primeira regata, o veleiro argentino Patagonia conquistou o título no Mitsubishi Motors Soto 40 World Championship. Com boa vantagem sobre os outros barcos, coube à equipe apenas administrar o resultado, terminando o campeonato com 44 pontos perdidos.

“Abrimos uma boa vantagem nas duas primeiras regatas da competição. Seguimos nos mantendo bem colocados todos os dias, com uma estratégia mais conservadora, já que essa é uma competição sem descartes. Assim, conquistamos um título bastante importante contra tripulações muito qualificadas”, comemora timoneiro do Patagonia, Juan Grimaldi.

Nesta quinta-feira, o tempo fechou, e o dia teve muita chuva e ventos com intensidade entre 10 e 13 nós. A equipe alemã EarlyBird, do tático e medalhista olímpico Jochen Schümann, aproveitou bem as condições e venceu a primeira regata do dia, subindo posições e terminando a competição em 5º na geral.

Já o brasileiro Pajero, destaque na última terça-feira com duas vitórias, fez ótimas regatas, chegando em terceiro na primeira e vencendo a segunda, confirmou a boa campanha e fez de tudo para aproximar do líder. Chegou ao fim do campeonato mundial em segundo, com apenas um ponto de diferença do campeão.

“Temos uma tripulação muito qualificada e um barco ótimo. Viemos para brigar pelas primeiras colocações e sabíamos que qualquer detalhe poderia decidir o campeonato. Fomos o veleiro que mais venceu no campeonato, mas os nossos adversários conquistaram o título com méritos e estão de parabéns”, explica o vice-campeão Sérgio Rocha, do Pajero.

Os chilenos Itaú e Santander, que fizeram ótimas regatas na quarta-feira, chegaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente. “Foi a primeira vez que competimos em Jurerê, e nossa expectativa era terminar entre os quatro mais bem colocados. Conquistamos um bom resultado”, ressalta Dag von Appen, do veleiro Itaú.

O chileno também conquistou a primeira colocação na categoria Owner Driver, destinado aos proprietários que também são comandantes de seus veleiros. O alemão Hendrik Brandis, do EarlyBird, ficou em segundo e o brasileiro Roberto Martins, do Carioca, em terceiro na categoria.

Na sequência da classificação geral, o alemão Earlybird, o chileno Mitsubishi Motors, os brasileiros Carioca e Crioula, o chileno Estampa DelViento, e os brasileiros Ocean Pact e Magia V / Energisa. Confira, abaixo, os resultados completos e os pontos perdidos.

Destaque feminino – e em campanha olímpica
Única velejadora do Iate Clube de Santa Catarina a participar do mundial de Soto 40, Larissa Juk faz campanha olímpica de Laser Radial para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A catarinense competiu como secretária do veleiro chileno Estampa DelViento, comandado por Hugo Rocha.

“É importante ser completo como velejador e saber andar em qualquer tipo de barco. Foi bacana ganhar experiência com monotipo também, fora que velejar ao lado desse pessoal que está entre os melhores do mundo só agrega coisas boas”, celebra a atleta.

Resultados após 10 regatas:
1º Patagonia (ARG) – (1+1+3+5+6+2+3+8+4+11) – 44pp
2º Pajero (BRA) – (3+6+7+10+1+1+2+11+3+1) – 45pp
3º Itau (CHI) – (4+5+10+2+5+5+7+4+2+8) – 52pp
4º Santander (CHI) – (7+3+6+7+3+12DNF+5+1+5+4) – 53pp
5º Early Bird (ALE) – (6+9+4+4+4+4+4+10+1+7) – 53pp
6º Mitsubishi Motors (CHI) – (9+8+11+8+2+5.9RDGb+1+2+6+3) – 55.9pp
7º Carioca (BRA) – (8+4+2+1+7+6+6+7+10+10) – 61pp
8º Crioula (BRA) – (2+2+5+9+11+3+10+6+8+6) – 62pp
9º Estampa Delviento (CHI) – (11+7+1+6+8+7+9+3+9+2) – 63pp
10º Ocean Pact Racing (BRA) – (10+11+8+11+9+8+8+5+7+5) – 82pp
11º Magia V Energisa (BRA) – (5+10+9+3+10+9+11+9+11+9) – 86pp

Resultados categoria Owner Driver:
1º Itau (CHI) – (4+5+10+2+5+5+7+4+2+8) – 52pp
2º Early Bird (ALE) – (6+9+4+4+4+4+4+10+1+7) – 53pp
3º Carioca (BRA) – (8+4+2+1+7+6+6+7+10+10) – 61pp


Mundial de Soto 40 no Brasil reúne herois locais e da America’s Cup
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Antonio Alonso

A Soto 40 está de volta ao Brasil. E com um Campeonato Mundial, o segundo da história da classe. O veleiro esportivo de 40 pés criado pelo argentino Javier Soto Acebal não é mais novidade sul-americana que era cinco anos atrás. Tripulantes espanhóis, portugueses e alemães se espalham pelas tripulações em Florianópolis, comprovando o sucesso de uma classe que foi durante muitos anos empolgMarcos Mendez / Mitsubishante enquanto promessa e promissora enquanto realização.

O alemão Jochen Schümann, dono de três medalhas 0límpicas, e Torben Grael, duas estrelas de America’s Cup, dividem espaço com estrelas regionais e especialistas na Soto, como André Mirsky, Samuca Albrecht e George Nehm. Depois de dois dias de regatas, os argentinos do Patagonia confirmam o leve favoritismo que tinham antes do início das regatas e lideram com cinco pontos de vantagem sobre o brasileiro Carioca, de Roberto Martins.

A Mitsubishi Motors S40 World Championship, na raia de Jurerê, é mais que o Mundial de Soto 40, é o resgate de uma classe que quase foi condenada ao ostracismo no Brasil após o fim da Mitsubishi Sailing Cup e o afastamento de Eduardo Souza Ramos das raias. Eduardo retornou para a classe e, embora não esteja velejando em Florianópolis, ficou claro como seu papel é fundamental para a classe no Brasil. Se alguém tinha dúvida, ela perdeu completamente o sentido após as temporadas 2013-1015.

Na raia, Floripa também esteve um pouco tímida hoje, demorando a mostrar o vento que tradicionalmente dá às caras sem nenhuma reserva por aqui. Com duas regatas, variando de seis a 12 nós, Estampa del Viento (CHI)  e Carioca (BRA) levaram os bullets, mas o dia foi mesmo do Carioca, que fez um segundo e um primeiro lugares e agora encostou no líder Patagonia.

Lentamente os líderes começam a se definir e a se distanciar na classificação. Esta terça será um dia decisivo na água.

Release do dia:

Argentina, Chile e Brasil. Barcos de três diferentes nacionalidades venceram as quatro regatas do Mitsubishi Motors S40 World Championship realizadas até essa segunda-feira. O veleiro chileno Estampa DelViento e o brasileiro Carioca foram os vencedores do dia.

Marcos Mendez / Mitsubish

Na primeira regata, que teve ventos entre 10 e 12 nós, com direção sueste, a equipe chilena conseguiu uma boa largada, se distanciando dos outros veleiros logo na primeira perna. “Foi um dia ótimo para velejar, com ventos constantes e com velocidade. Conseguimos uma boa saída e escolhemos a tática certa para o início da prova. Depois disso, mantivemos o ritmo e terminamos na primeira colocação”, Miguel Gonzalez, comandante do chileno Estampa DelViento.

Já na segunda regata, quem conquistou a vitória foi o Carioca, que já havia chegado em segundo na primeira prova do dia. “Hoje foi um dia muito bom, com ventos de até 15 nós. Melhoramos nossa largada, o que é importante em competições monotipo”, comemora Roberto Martins, comandante do veleiro.

Para ele, o nível técnico das tripulações garantirá um campeonato disputado até o fim. “O resultado não quer dizer que somos uma equipe melhor do que as outras. Apenas conseguimos velejar mais rápido hoje”, completa.

Com o resultado de desta segunda-feira, o veleiro brasileiro está em segundo na classificação geral do campeonato, com 15 pontos perdidos, cinco a mais do que o líder Patagonia e três a menos do que o terceiro colocado, o Crioula.

Outro veleiro brasileiro que conseguiu uma boa segunda prova foi o Magia V/Energisa, do medalhista olímpico Torben Grael, que chegou na terceira colocação. “Na primeira regata cometemos alguns erros na tática, o que nos prejudicou um pouco. Já na segunda largamos bem, acertamos nossa estratégia e o barco respondeu com muita velocidade”, explica Torben.

Uma das flotilhas mais fortes do mundo
Além de grandes nomes competindo na raia de Jurerê, como Torben Grael, Jochen Schümann e Cole Parada, o Mitsubishi Motors S40 World Championship conta com juízes de renome na organização. É o caso de Nelson Ilha, chefe de juria do campeonato e uma das maiores autoridades de vela no mundo.

Marcos Mendez / Mitsubish“Essa classe tem como característica os barcos sempre iguais. Aqui se vê equipes que estão correndo são montadas com táticos profissionais, que fazem campanha olímpica. São velejadores que estão no topo da vela internacional. É realmente um evento de altíssimo nível”, exalta o gaúcho que tem cinco Olimpíadas e quatro Pan-americanos no currículo.

Para ele, outro destaque é o formato do campeonato, que não conta com descartes. “A flotilha é muito parelha e qualquer erro de manobra ou uma decisão tática errada faz com que o competidor pague”, complementa Nelson, que será o juiz chefe do próximo Pan-americano.


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