Sobre as Águas

Arquivo : Itajaí

O que Cafu e Ellen Jabour têm a ver com o sucesso da Volvo
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Antonio Alonso

Miss Santa Catarina, Laura Lopez, faz selfie no mastro do barco chinês

Miss Santa Catarina, Laura Lopez, faz selfie no mastro do barco chinês

Duas horas antes do início da Regata costeira aqui em Itajaí o capitão do veleiro líder da Volvo Ocean Race, Ian Walker, participava de um concurso de embaixadinhas com Cafu, ex-jogador da seleção brasileira. A modelo e apresentadora Ellen Jabour passeia por Itajaí e Balneário Camboriú. O ex-zagueiro da seleção Márcio Santos, que mora em Itajaí, vai pular do barco chinês após a largada rumo aos Estados Unidos. A cineasta Isabella Souza Nicolas lançou seu livro “Mar me que” e apresentou o documentário “Mar sem fim” em três cidades da região (o livro está à venda na Vila da Regata). O Team Brunel, patrocinado por uma empresa que nem existe no Brasil, está como louco atrás de pautas que possam interessar aos jornalistas.

Existe uma razão para este blog estar hiperativo nos últimos dias, e não é só a Vela. A Volvo Ocean Race aprendeu muito bem como alimentar o sedento mercado da mídia (e nem de longe a mídia de Vela é a mais importante por aqui).

Garoto tira selfie com Cafu em Itajaí

Garoto tira selfie com Cafu em Itajaí

Por mais puristas que sejamos (e confesso que eu sou um pouco), parece que a Ellen Jabour é importante nesta parada.

Em tempo: O Team Mapfre, do Bochecha, que estava fazendo reparos no barco, foi para a água e vai correr a inport caso esteja tudo bem com o barco.


Árbitro explica punição que custou dois pontos ao Mapfre
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Antonio Alonso

O veleiro espanhol Mapfre sofreu uma punição duríssima nesta quinta-feira. Os espanhóis levaram uma penalização de dois pontos por terem feito reparos no barco sem a autorização da organização da regata.

Rick Tomlinson/Volvo Ocean Race

Nesta foto é possível ver o outrigger, essa peça de carbono que sai pela lateral do barco perto da popa

O primeiro reparo foi no outrigger, que é uma espécie de “pau de spinakker” usado na popa do barco, a sotavento. A peça é legal nesta classe e serve para posicionar as enormes genoas de maneira a maximizar a eficiência das velas. No entanto, o outrigger fornecido pela Volvo Ocean Race tem sido um dos motivos de reclamação na regata, porque é já quebrou antes. No Mapfre, a peça quebrou e foi reparada, mas o reparo não aconteceu somente no trecho que quebrou, os espanhóis decidiram reforçar quase toda a peça. Na prática, isso não significou nenhum ganho de performance para os espanhóis, apenas mais segurança. Para a organização, no entanto, a mudança foi uma falha grave, com o agravante de não ter sido comunicada.

A Volvo tem uma escala de penalizações que vai de 1 a 3 pontos. A punição ao Mapfre (2 pontos) foi alta porque os espanhóis também fizeram um reforço na proa sem solicitar à organização. As duas infrações acabaram custando caro ao Mapfre, que estava com a mesma pontuação que o terceiro colocado e agora ocupa a quinta colocação.

O árbitro internacional Ricardo Lobato, o Blu, explica a segunda penalidade:

Árbitro internacional explica punição ao Mapfre


Mapfre sofre punição, mas Team SCA é quem tem o maior problema pela frente
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Antonio Alonso

Ainhoa Sanchez/Volvo Ocean Race

Xabí Fernandez, skipper do Mapfre argumenta no julgamento em que o time foi penalizado

O time espanhol MAPFRE recebeu uma pesada penalização por ter feito reparos no barco sem avisar à organização da regata. Os espanhóis receberam dois pontos extas e caíram uma posição na tabela geral. Com 20 pontos, eles estão agora a 11 pontos do líder, Abu Dahbi, e viram a distância para o segundo lugar aumentar de apenas dois para quatro pontos.

Menos problemas tiveram os chineses do Dong Feng. Devido a uma quebra no mastro, eles foram obrigados a cortar parte da vela mestra para evitar danos ainda maiores. Os tripulantes conseguiram levar o barco a salvo até a Argentina, onde fizeram os reparos e retornaram à regata. Considerando que o reparo foi urgente e emergencial, a organização não apenas não puniu os chineses como permitiu que eles trocassem de vela. Agora, em vez de serem obrigados a usar uma velha surrada e remendada, eles poderão usar a vela antiga, que usaram nos treinamentos.

As velejadoras do SCA serão obrigadas a correr com uma vela em péssimas condições

Apesar de não sofrerem nenhuma punição, o time que mais deve sofrer com as decisões do júri da Regata Volta ao Mundo é a equipe feminina SCA. Durante a última perna, de Auckland até Itajaí, as meninas rasgaram uma das velas mais importantes, a FRO (uma code Zero fracionada, que não vai até o tope do mastro). A juria decidiu que elas serão obrigadas a velejar com a vela remendada. E isso significa que as garotas vão competir em condições completamente desiguais em relação aos demais barcos. O estado da Vela é tão lastimável que poucos acreditaram que a Volvo decidiria pela manutenção do material Mas foi esta a escolha da organização.

 


Volvo: Joca desistiu da Olimpíada; já Bochecha…
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Antonio Alonso

Mapfre/Divulgação

“Não penso em Olimpíada… Até o final desta Volvo”

Os dois brasileiros envolvidos diretamente nesta edição da Volvo Ocean Race são estrelas olímpicas do Brasil que tiveram de se afastar dos barquinhos para dar atenção total à Regata Volta ao Mundo. Joca, João Signorini, reinava absoluto na Finn quando foi convocado para sua primeira participação, mais de uma década atrás. Hoje Joca não está mais dentro do barco, mas no importante papel de treinador da equipe feminina SCA. “Eu confesso que tenho vontade [de fazer outra campanha olímpica na Finn], mas desta vez ficou impossível. Meu papel aqui no SCA Team exige 100% de dedicação e com o atual sistema de classificação no Brasil fica impossível para mim”, contou o velejador carioca que atualmente mora na Suécia.

A nova regra olímpica no Brasil acabou com as competições seletivas. Agora os velejadores que representarão o Brasil nos Jogos do Rio serão indicados por uma comissão técnica chefiada por Torben Grael. Como Joca não participa das competições de Finn no Brasil, ele considera que não tem nenhuma chance de ser convocado.

Bochecha: Agora meu foco é 100% na Volvo. Depois… eu não sei o que pode acontecer.

Já André Fonseca, que é um dos timoneiros do veleiro espanhol Mapfre, diz que não pensa na campanha olímpica. “Até a Volvo acabar”. Numa conversa em Itajaí, Bochecha confessou que ficou tentado com a experiência de Xabi Fernández e Íker Martínez, seus companheiros no Mapfre. Na edição passada da Volvo, os dois espanhóis correram toda a regata, conquistaram a vaga olímpica para a Espanha, foram aos Jogos de Londres e ainda voltaram com uma medalha. “Mas ele [Iker] é o capitão do barco e eu deixei muito claro desde o princípio que meu compromisso com o Mapfre é integral. Minha preocupação olímpica agora é zero. Depois da regata… não sei. Nenhuma decisão ainda”.

Bochecha deixou escapar, no entanto, que a participação olímpica é uma possibilidade. “Eu tenho barco, proeiro e até patrocinador”.

Tudo indica que a 49er do Brasil ganha uma inscrição de peso para os Jogos que serão disputados na baía de Guanabara.


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