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Aluguel, cotas ou bolsa tripulante na Semana de Vela

Antonio Alonso

28/06/2019 15h59

A agência On Board, que faz assessoria de comunicação pra Semana de Vela de Ilhabela fez um material explicando como os velejadores podem participar do evento em julho.

As opções descritas no título são algumas. A mais legal é a bolsa tripulante, mas pra quem não sabe nada de regata vale aprender nas escolas da ilha.

Dá uma olhada

A Semana Internacional de Vela de Ilhabela oferece várias opções para velejadores e amantes do mar participarem do evento, considerado o maior da América do Sul na modalidade. A competição chega à sua 46ª edição em Ilhabela (SP) e reúne não só atletas campeões como amadores e até marinheiros de primeira viagem.

O campeonato será realizado de 13 a 20 de julho e terá várias classes no calendário, incluindo as que possuem maior número de amadores ou cruzeiristas, como a Bico de Proa e a RGS. Nesses casos, os donos usam as embarcações durante o ano para laser e nas férias de inverno se juntam à flotilha, que já ultrapassou 100 barcos para a edição 2019.

Os caminhos para disputar as provas não obrigam o velejador ser profissional, muito menos ser proprietário de um barco! Escolas de vela, aluguel de embarcações, o bolsa tripulante e até cotas estão no radar.

Os futuros velejadores podem se inscrever em escolas de vela da região e treinam durante o ano com seus colegas. Um skipper experiente comanda os barcos e distribui as funções a bordo, como é o caso da Veleiros Eventos, de Hillpert Zamith. O veleiro H2Orça está inscrito na Semana Internacional de Vela de Ilhabela 2019 na classe Bico de Proa.

"A gente não tem compromisso com a vitória e sim ensinar o velejador a participar de uma regata e velejar. O aluno vai se preparar em situações diversas, como ventos muito fortes, superiores a 30 nós, e calmaria", disse Hillpert Zamith.

Correr a Semana Internacional de Vela de Ilhabela para os aprendizes na modalidade pode ser considerado um curso intensivo de oceano, pois os alunos aprendem inúmeras situações de velejada em um curto espaço.

A escola BL3, por exemplo, que vai disputar o evento com dois barcos nesta temporada, a cada ano oferece aos alunos essa experiência no mar do litoral norte de São Paulo.

"A quantidade de coisas que ocorre em uma tarde de regata se equivale a anos de uma velejada em cruzeiro, ou seja, os participantes vivenciam uma série de situações como manobras, trocas de velas, regras de segurança numa prova. Aí quando o aluno vai para o cruzeiro dá mais conta", contou Pedro Rodrigues, da BL3, que vai com os barcos Urca e Mangalô.

Aluguel

Uma das opções que a cada ano é mais utilizada é o aluguel de barcos. Em 2018, por exemplo, os argentinos do Gualicho del Sur buscaram um HPE-25 para correr as regatas de julho. No ano anterior, o Mad Max fez a mesma coisa e saiu campeão da HPE-30.

"O brasileiro não tem muito essa cultura de alugar o barco. Tem um carinho para com a embarcação, é como se fosse um filho. Na Europa é muito diferente, se você quer correr um campeonato tem como encontrar várias opções. Isso que a gente quer aqui! Quanto mais barco tiver para alugar no Brasil, mais fácil para o estrangeiro vir", explicou Cuca Sodré, um dos organizadores da Semana Internacional de Vela de Ilhabela.

Cotistas

Os velejadores podem comprar vagas em barcos para o evento e juntar um grupo de amigos para comprar uma embarcação.

Há também a opção de fazer em cotas, o que pode facilitar a vida de quem quem vivenciar experiência da maior regata do País. Na linguagem moderna é a tal propriedade compartilhada. Neste caso, os cotistas agendam os dias para utilizar visando o laser ou até mesmo as regatas.

O Atobá, que é um barco de propriedade compartilhada, terá um comandante que adquiriu uma das cotas durante a Semana Internacional de Vela de Ilhabela.

"É a otimização de recursos também na vela. Podemos dizer que isso é uma tendência mundial, hoje a propriedade compartilhada está em carros de luxo, lanchas, casas de veraneio e agora na modalidade vela", explicou Hillpert Zamith, idealizador do barco compartilhado em cotas.

Bolsa tripulante

Todos os anos, a organização da Semana Internacional de Vela de Ilhabela abre a Bolsa Tripulante. Por meio do site oficial do evento, velejadores amadores que não tem barco próprio podem concorrer a uma vaga para disputar as regatas.

Os candidatos informam os dados pessoais e detalhes pertinentes ao mundo náutico como experiência, peso e função a bordo. Os comandantes dos times analisam a lista e podem escolher o tripulante.

"Meu objetivo é ter experiência em outros barcos, pois já corri a Semana de Vela com aluno de uma escola de vela. A competição é muito boa e tive a oportunidade de participar de todas as funções a bordo!", contou Adriano Ferri, que está na lista do bolsa tripulante.

Mais informações em http://www.sivilhabela.com.br/bolsa-de-tripulantes/

Inscrições

O evento entrou no segundo lote de inscrições. A partir de 11 de junho até o dia 30 de junho, o velejador integrante de barco que não necessita usar poitas ou a marina do YCI desembolsará R$ 140.

Já os que utilizarem as poitas do Yacht Club de Ilhabela (YCI) pagam R$ 300 e os que necessitarem de vagas na marina do clube R$ 420. Os valores são por tripulante. As inscrições seguem abertas pelo site http://sivilhabela.com.br/.

O desconto de 30% da classe RGS passa a valer apenas para os veleiros afiliados à ABVO – Associação Brasileira de Veleiros de Oceano. Caso contrário, os valores vigentes serão os da tabela ORC, IRC, C30, HPE 30, Multicasco e HPE 25.

Para as categorias dos barcos Clássicos e Bico de Proa, o desconto de 30% na inscrição está mantido. A medida atende a um pedido da própria ABVO. A Semana Internacional de Vela de Ilhabela reforça a importância da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano como fomentadora da modalidade no País.

foto: aline bassi | balaio

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.

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