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Ilhabela, Porto Alegre e São Paulo no pódio do Sudeste Brasileiro de Snipe

Antonio Alonso

05/05/2017 11h55

Os campeões Hormazabal e Block (11), de Ilhabela, na Guarapiranga (Douglas Moreira / Fisheye Image)

A primeira edição do Campeonato Sudeste Brasileiro da Classe Snipe contemplou a necessidade dos velejadores da região em possuírem uma competição própria e consagrou a dupla da Escola de Vela de Ilhabela (EVI), Renê Hormazabal e Sidney Block como inéditos ganhadores do Troféu Bibi Juetz, pioneira da Snipe no Brasil, oferecido pelo Yacht Club Paulista (YCP), organizador do evento disputado por 35 embarcações entre 29 de abril e 1º de Maio na Represa Guarapiranga, em São Paulo.

Após seis regatas e um descarte, os velejadores do litoral norte paulista obtiveram duas vitórias e somaram 13 pontos perdidos, três a menos do que os vice-campeões gaúchos, Roberto Paradeda e Gabriel Kielling, do Clube dos Jangadeiros (CDJ). A dupla de Porto Alegre também venceu duas provas. Enrico e Frederico Francavilla, pai e filho, do Yacht Club de Santo Amaro (YCSA), conquistaram as medalhas de bronze devido à regularidade da campanha que incluiu três segundos lugares e 20 pontos.

Os campeões Hormazabal e Block justificaram a fama de Ilhabela, considerada a Capital Nacional da Vela. Souberam a aproveitar os ventos de leste a sul, entre 8 e 12 nós, predominantes nos três dias de competição. "Conseguimos nos adaptar aos ventos mais rondados da represa em relação a Ilhabela. As regatas foram bem difíceis diante do nível elevado dos competidores, mas também contamos com a sorte em alguns momentos", afirmou o argentino Hormazabal, radicado há sete anos em Ilhabela. A dupla de Snipe recém-formada correu antes, o Brasileiro, em janeiro em Ilhabela e o Sul-Americano, em abril na Argentina, chegando em 15º lugar em ambos os campeonatos.

Velejando como gente grande – A medalha de bronze recebida pela Família Francavilla foi uma das mais festejadas pelo fato de o proeiro Frederico, filho do timoneiro Enrico, ter apenas 10 anos de idade. "Estou orgulhoso", comemorou o empolgado e falante Frederico. "Corremos contra adversários muito fortes de outras cidades e de outros estados, muitos campeões na raia e mesmo assim mandamos um terceiro na geral", justificou o pequeno e promissor velejador que segue os passos do pai, exemplo de dedicação à vela.

"Foram dias muito tensos a bordo, mas o importante é que estamos evoluindo. No primeiro dia só levamos cacetadas, mas não desanimamos, fomos para cima e nos recuperamos. O que mais quero agora é disputar um Mundial. Essa é minha meta. Preciso crescer para compor com meu pai o peso ideal para o barco", assegurou Frederico com seu 1m42. A oportunidade de classificação para o Mundial poderá vir no Brasileiro de Snipe de 2019, que também terá o Yacht Club Paulista como sede.

A satisfação dos 70 competidores, praticamente unânime, não foi atribuída apenas à categoria e determinação das 35 duplas inscritas por São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A organização demonstrou a competência exigida por evento de grande porte. Em meio ao entusiasmo da flotilha, a segunda edição foi anunciada para o primeiro semestre de 2018 em Ilhabela. As outras duas cidades que participarão do rodízio como sede do Sudeste Brasileiro de Snipe são, Vitória (ES) e Santos (SP). "A Comissão de Regatas (CR) formada por integrantes da arbitragem dos Jogos Rio 2016 esteve impecável. Alexandre Ferraz, Antônio Mellone e equipe atuaram para que as regatas tivessem nível olímpico", ressaltou o diretor de Vela do YCP, Alberto Hackerott.

Troféu Bibi Juetz – A lendária velejadora gaúcha, Bibi Juetz, abrilhantou a cerimônia de premiação na sede social do YCP. Aos 84 anos de idade, dos quais 60 dedicados à vela, Bibi acompanhou as regatas decisivas do Sudeste Brasileiro de Snipe em lancha do YCP, nas águas onde velejou pela última vez em 2000. "Hoje é um dia especial para mim. Estão me tratando como seu eu fosse uma idosa, mas não me sinto assim. Esse carinho todo traz de volta as alegrias que vivi como velejadora", declarou a sorridente Bibi.

Seu último Mundial Máster não está tão distante, foi em 2014 no Japão. Em 1998 Bibi conquistou o título
mundial do mesmo campeonato na Argentina. Ao passar pela raia da Guarapiranga onde era disputada competição de outra classe, HPE 25, recordou-se com carinho de Eduardo Souza Ramos, comandante do Phoenix. "A primeira vez em que o Eduardo embarcou para uma regata era uma criança, menor do que eu, acredite, e foi meu proeiro de Snipe na Represa Billings. O pai dele, o senhor Gil, sempre me ajudou muito quando eu velejava em São Paulo", contou Bibi repleta de saudades, com seu 1m54 de muito talento.

Campeonato Sudeste Brasileiro de Snipe
Classificação geral

1 – Renê Hormazabal e Sidney Block (EVI) – 13 pontos perdidos
2 – Roberto Paradeda e Gabriel Kielling (CDJ) – 16 pp
3 – Enrico e Frederico Francavilla (YCSA) – 20 pp

Vencedores nas demais categorias
Feminina

Carolina Sacconi e Silvia Accar (YCSA)
Júnior
José Hackerott e Charles Daniel (YCP)
Máster
Ricardo Barbosa e Gustavo Queiroz (YCSA)
Duplas mistas
Caio Gerasse e Ana Tenório (EVI)

Sobre o Autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estreia seu blog em novo endereço no UOL.

Sobre o Blog

A vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Bem-vindo a bordo.

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